Deus E O Mal No Dilema De “Epicarlos” (7) – Religião

Deus E O Mal No Dilema De “Epicarlos” (7) – Religião

Deus e o Mal, eis o dilema: Se Deus é bom e todo-poderoso, por que o mal existe? Se o permite, será cruel?

Essas questões ecoam desde os tempos antigos e continuam desafiando teólogos e filósofos. Inspirado no paradoxo clássico atribuído a Epicuro, surge o dilema de Epicarlos, uma reflexão provocativa que busca confrontar essas duas aparentes contradições sobre Deus e o mal.

Mas será que esse dilema se sustenta? Ou a própria formulação da questão impõe uma escolha limitada e equivocada? Nesta análise, exploramos a relação entre a soberania divina e a existência do mal, buscando uma resposta que vá além da lógica humana e se aproxime da revelação bíblica.

Deus Criou o Mal?

Se Deus criou todas as coisas, e o mal existe, Deus seria o criador do mal? Esta conclusão é uma distorção da doutrina bíblica. A Escritura nos ensina que:

  • “Deus viu tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom” (Gênesis 1:31). O mal não estava presente na criação original.
  • “Toda boa dádiva e todo dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação” (Tiago 1:17). Deus é a fonte de tudo que é bom, e não do mal.
  • “Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta” (Tiago 1:13).

Assim, Deus não criou o mal em si, mas criou seres dotados de liberdade moral. O mal é uma realidade que surge como a corrupção do bem, e não como uma entidade independente. Como ensina Santo Agostinho, o mal é a “privatio boni” (privacão do bem), uma degradação do que é bom.

Aplicativo do pregador
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A Origem do Mal

O mal moral surgiu da livre escolha de criaturas racionais:

  • Satanás e os anjos caídos rebelaram-se contra Deus (Isaías 14:12-15; Ezequiel 28:12-17).
  • Adão e Eva desobedeceram a Deus e trouxeram o pecado ao mundo (Gênesis 3:1-6; Romanos 5:12).

Portanto, o mal não é algo criado diretamente por Deus, mas uma consequência do uso indevido da liberdade dada às criaturas.

A resposta ao Trilema de Epicuro também resolve o Dilema de Epicarlos

1. Deus é Onipotente, mas Permite o Mal

A onipotência divina não significa que Deus deve anular todas as possibilidades de mal. Deus criou um mundo com liberdade moral, e a liberdade genuína implica a possibilidade de escolha errada. Eliminar o mal completamente exigiria remover a liberdade humana, tornando-nos meros robôs.

2. Deus é Bom, mas Tolera o Mal Temporariamente

A Bíblia afirma que Deus permitirá a existência do mal por um tempo, mas também garante que Ele o derrotará completamente:

  • “O Filho do Homem enviará os seus anjos, e eles colherão do seu Reino tudo o que causa escândalo e os que praticam a iniquidade” (Mateus 13:41).
  • “E Deus limpará de seus olhos toda lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor” (Apocalipse 21:4).

Assim, a existência temporária do mal não contradiz a bondade de Deus. Pelo contrário, Ele usa o mal para um bem maior, como na história de José: “Vocês intentaram o mal contra mim; mas Deus o tornou em bem” (Gênesis 50:20).

3. O Mal Existe, mas Deus o Redimirá

A cruz de Cristo é a resposta definitiva ao problema do mal:

  • Jesus sofreu o mal extremo (a crucificação), mas esse mal foi transformado na maior demonstração de amor e redenção (João 3:16).
  • Deus usou o pior ato da história (a morte do Filho de Deus) para trazer a maior bênção possível (a salvação da humanidade).

Assim, o mal não refuta a existência de Deus, mas confirma a necessidade d’Ele.

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4. Agostinho e o Mal como Privação do Bem

Santo Agostinho (354-430 d.C.) foi um dos maiores pensadores cristãos a abordar o problema do mal. Sua reflexão filosófica e teológica sobre o tema influenciou profundamente a tradição cristã e ainda hoje é referência para debates sobre o assunto. Ele desenvolveu sua resposta ao problema do mal principalmente em obras como Confissões e A Cidade de Deus. A seguir, exploramos suas principais ideias sobre o tema.

  1. O Mal como Privação do Bem (Privatio Boni)
    Uma das contribuições mais marcantes de Agostinho é sua visão de que o mal não é uma substância ou uma entidade criada, mas sim uma privação do bem (privatio boni). Ele rejeita a ideia maniqueísta de que o mal é uma força independente e em conflito com Deus. Para Agostinho, Deus criou todas as coisas boas (omne ens est bonum – “todo ser é bom”), mas algumas podem perder a plenitude de sua bondade e, assim, experimentar corrupção ou decadência. O mal, portanto, não tem existência própria, mas é a ausência ou distorção do bem.

Referência Bíblica: “E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom” (Gênesis 1:31).
Isso confirma que a criação de Deus foi originalmente perfeita.

Ilustração: Assim como a escuridão é apenas a ausência de luz, o mal é a ausência do bem.

  1. O Mal e o Livre Arbítrio
    Outra resposta de Agostinho ao problema do mal é a defesa do livre arbítrio. Ele argumenta que Deus concedeu às criaturas racionais (anjos e humanos) a liberdade de escolher entre o bem e o mal. O pecado e o sofrimento entraram no mundo porque os seres criados por Deus abusaram dessa liberdade e escolheram se afastar do bem supremo, que é Deus.

Referência Bíblica: “Por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte” (Romanos 5:12).
Paulo ensina que a corrupção do mundo se deu pela escolha humana errada.

Ilustração: O fogo pode ser usado para aquecer e proteger, mas também pode queimar e destruir. O problema não está no fogo, mas no mau uso dele.

  1. O Mal como Instrumento para um Bem Maior
    Agostinho também defendeu a ideia de que Deus pode permitir o mal para um propósito maior. Ele argumenta que, mesmo permitindo o sofrimento e o pecado, Deus sempre conduz todas as coisas para o bem daqueles que O amam (Romanos 8:28).

Referência Bíblica: “Vós bem intentastes mal contra mim; porém Deus o intentou para bem” (Gênesis 50:20).

José reconhece que Deus transformou o mal em um bem maior.

Exemplo: A crucificação de Cristo foi um evento de extrema maldade, mas Deus usou essa maldade para trazer redenção ao mundo.

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Conclusão

O problema do mal não é uma contradição lógica na existência de Deus, mas um mistério que a teologia cristã resolve de forma coerente:

  1. Deus não criou o mal, mas deu liberdade moral.
  2. O mal é um abuso dessa liberdade por parte de criaturas racionais.
  3. Deus permite o mal temporariamente para um bem maior.
  4. Deus derrotará o mal completamente no fim da história.

Isso posto, tanto o Dilema de Epicarlos (meu questionador imaginário) ou o trilema de Epicuro são resolvidos pela perspectiva bíblica: Deus é onipotente, é bom e permitirá temporariamente o mal, pois Ele tem um propósito soberano e final de redenção e restauração.

Como disse C.S. Lewis: “Deus sussurra em nossos prazeres, fala em nossa consciência, mas grita em nossa dor: ela é o megafone para despertar um mundo surdo“. O mal nos lembra de nossa necessidade de Deus, e a promessa bíblica é que um dia Ele restaurará todas as coisas.

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