Abaixo a nossa versão da lição bíblica. Respeitamos as divisões e títulos, mas adicionamos nosso comentário.
INTRODUÇÃO
O Evangelho de João apresenta uma das mais profundas revelações sobre a identidade divina de Jesus Cristo. Nele, encontramos evidências irrefutáveis de que o Filho é igual ao Pai em natureza e glória. A rejeição dessa verdade, ao afirmar que Jesus é Filho de Deus, mas não é Deus, é contraditória tanto do ponto de vista bíblico quanto teológico. O confronto de Jesus com os líderes religiosos em Jerusalém deixa claro que Ele não apenas reivindicava ser enviado por Deus, mas possuía uma relação singular de igualdade com o Pai. Esta lição tem como propósito explicar e fundamentar essa verdade com base nas Escrituras.
I. A DOUTRINA BÍBLICA DA RELAÇÃO DO FILHO COM O PAI
- A ideia de filho. Na cultura judaica, o termo “filho” carrega o significado de igualdade de natureza com o pai. Isso pode ser observado em passagens como Mateus 23:29-31, onde os escribas e fariseus são chamados “filhos” daqueles que mataram os profetas, indicando que compartilhavam da mesma disposição pecaminosa de seus ancestrais. O paralelismo poético do Salmo 8:4 também reforça essa ideia ao igualar “homem mortal” com “filho do homem”. Assim, quando Jesus é chamado “Filho de Deus”, isso significa que Ele é da mesma essência do Pai, e não uma criatura inferior.
- Significado teológico. A expressão “Filho de Deus” não denota uma origem criada, mas uma relação eterna de coexistência na Trindade. Jesus afirmou isso claramente ao dizer: “Eu saí e vim de Deus” (Jo 8:42) e “Saí do Pai e vim ao mundo; outra vez, deixo o mundo e vou para o Pai” (Jo 16:28). Essas declarações indicam sua pré-existência e divindade. Os judeus compreenderam que, ao chamar Deus de seu Pai, Jesus estava se igualando a Ele (Jo 5:17-18). A própria Escritura testifica disso em Hebreus 1:8, citando o Salmo 45:6-7, onde Deus chama o Filho de “Deus”. Isso revela a complexidade da união entre o Pai e o Filho dentro da Trindade.
- O Filho é Deus. A Bíblia é clara ao afirmar a divindade de Cristo. A expressão “Filho de Deus” não sugere inferioridade, mas sim a sua deidade plena. Hebreus 1:8 é uma evidência contundente, pois é Deus quem se dirige ao Filho como “Deus”. Esse relacionamento intratrinitário é um mistério revelado progressivamente nas Escrituras, apontando para uma unidade composta na divindade.

II. A HERESIA DO SUBORDINACIONISMO
- Orígenes. O subordinacionismo é uma heresia que afirma que o Filho é subordinado ao Pai em essência e divindade, sendo um deus inferior. Essa ideia foi defendida por Orígenes (185-254 d.C.), cuja teologia influenciou tanto os que apoiavam a divindade de Cristo quanto os que, como Ário, negavam sua igualdade com o Pai. A doutrina ortodoxa da Trindade, porém, ensina que o Pai, o Filho e o Espírito Santo compartilham a mesma essência divina (Mt 28:19; 2Co 13:13), sem qualquer hierarquia de superioridade em sua natureza.
- No período pré-niceno. Nos séculos II e III, houve tentativas equivocadas de preservar o monoteísmo afirmando que Jesus era inferior ao Pai. Contudo, essas ideias decorriam de uma interpretação distorcida de certas passagens bíblicas. O Novo Testamento é claro ao afirmar que Jesus é Deus encarnado (Jo 1:1,14; Cl 2:9).
- Métodos usados pelos subordinacionistas. Os defensores dessa heresia costumam selecionar passagens bíblicas que enfatizam a humanidade de Cristo e ignorar as que afirmam sua divindade. No entanto, uma leitura integral das Escrituras revela que Ele é tanto verdadeiro homem quanto verdadeiro Deus (Rm 1:1-4; 9:5).

III. COMO O SUBORDINACIONISMO SE APRESENTA HOJE
- No contexto islâmico. O Islamismo nega a filiação divina de Jesus, reduzindo-o a um mero profeta inferior a Maomé. O Alcorão rejeita a ideia de que Deus tenha um Filho, pois interpreta erroneamente essa expressão como uma relação física entre Deus e Maria. Entretanto, as Escrituras ensinam que Jesus foi concebido pelo Espírito Santo e não por meio de uma união física (Mt 1:18,20; Lc 1:35). Mesmo os demônios reconheciam Jesus como “Filho do Deus Altíssimo” (Mc 5:7), testificando sua identidade divina.
- O movimento das Testemunhas de Jeová. Esse movimento ensina que Jesus é um “deus menor” criado por Jeová, contradizendo a doutrina bíblica da Trindade. A fé cristã ensina que há um único Deus em três pessoas, e que não existem “deuses menores” (Gl 4:8). O apóstolo Paulo declara claramente: “Para nós há um só Deus, o Pai, de quem é tudo, e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual são todas as coisas” (1Co 8:6).
CONCLUSÃO
A expressão “Filho de Deus” tem sido objeto de debate ao longo da história da Igreja. No entanto, a interpretação bíblica correta é que Jesus é o Filho Unigênito, não por ter sido criado, mas porque é da mesma essência do Pai. A doutrina cristã preserva tanto o monoteísmo quanto a plena divindade de Cristo, sustentando que Ele é eterno, coigual e consubstancial com o Pai. Negar essa verdade é rejeitar o testemunho das Escrituras e comprometer a própria essência da fé cristã.